Projeto de 1 Dev só
“Aqui a gente trabalha em squad.”
— enquanto cada dev vive sozinho no próprio repositório
O conceito mágico de squad
No PowerPoint:
- Squad multidisciplinar
- Responsabilidade compartilhada
- Conhecimento distribuído
- Entrega coletiva
Na vida real:
- 1 dev = 1 projeto
- Se ele sair de férias, o produto entra em coma
- Se ele pedir demissão, vira incidente crítico
Mas fica tranquilo:
tem daily.
A squad do “cada um no seu quadrado”
A estrutura é mais ou menos assim:
- Dev A → Projeto legado em .NET Framework 4.6
- Dev B → API em Node “temporária” desde 2019
- Dev C → Front em React abandonado no meio
- Dev D → “Está ajudando o time” (não entrega nada)
Ninguém revisa código.
Ninguém entende o sistema do outro.
Mas todos são um time.
No organograma.
O ônibus invisível
Chamam de bus factor.
Na prática, é o ônibus imaginário que:
- Passa todo dia
- Nunca atropela
- Mas todo mundo tem medo
Porque se aquele dev cair:
- Não tem documentação
- Não tem teste
- Não tem onboarding
- Só tem um README mentiroso (Não tem)
Mas na retrospectiva:
“Precisamos melhorar o compartilhamento de conhecimento.”
Daily não é transferência de cérebro
A daily virou isso:
- “Ontem mexi no meu projeto”
- “Hoje vou continuar no meu projeto”
- “Sem impedimentos”
Fim.
Nenhum pareamento.
Nenhuma revisão cruzada.
Nenhuma rotação.
Só monólogos sincronizados.
O mito da autonomia
Chamam de autonomia o que é, na verdade, abandono técnico.
Autonomia não é:
- “Se vira aí”
- “Esse sistema é teu”
- “Você conhece melhor”
Autonomia de verdade exige:
- Contexto compartilhado
- Decisões visíveis
- Código acessível
- Responsabilidade coletiva
O resto é terceirização interna.
Quando dá problema, vira problema pessoal
O sistema cai.
Pergunta clássica:
“Quem mexeu por último?”
Nunca:
- “Por que só uma pessoa entende isso?”
- “Por que não temos testes?”
- “Por que ninguém revisou?”
Sempre:
“Fulano errou.”
O resultado inevitável
- Dev sobrecarregado
- Conhecimento concentrado
- Time frágil
- E uma falsa sensação de squad
Mas tá tudo bem.
No LinkedIn:
“Time incrível, cultura forte e desafios constantes.”
Constantes mesmo.